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Written by Jorge Oliveira / 21.06.2012

A Switch a promover o ecossistema

De vez em quando sinto que vivo em mundos paralelos. Dum lado o mundo negro das notícias onde tudo vai de mal a pior e nada tem remédio. Do outro deparo-me com gente jovem cheia de ideias e iniciativas, a empreender e a lançar start-ups que deixam muito estrangeiro admirado.

São sementes senhores, são sementes.

Switch 2012

A terceira edição da Switch focou-se muito mais no universo do empreendedorismo e das start-ups, águas por onde começou a sua viagem mas onde chega agora mais empenhada.

Foram dois dias de conversa, networking e concurso de start-ups, com grandes nomes no palco a conferirem que Lisboa terá condições de ser um ninho de incubação e de atracção de empreendedores estrangeiros. Nesse ponto a apresentação do João Vasconcelos foi muito interessante e terminou com o vídeo que tem andado por aí a correr.

Tenho a impressão de que muitas vezes enquanto país e enquanto povo nos esquecemos das nossas valias e dos nossos pontos fortes e só nos focamos nos pontos fracos. Lisboa, e outras cidades também, têm condições com que poucas cidades da Europa podem rivalizar.

StartUp Contrabandistas

Outro colectivo a dar atenção chama-se StartUp Pirates e apresentou uma agenda de workshops de promoção do empreendedorismo que pretendem levar um pouco por todo o país. Quase todo no litoral é certo. Talvez por isso ache que está a faltar um Start-Up Contrabandistas para fazer o mesmo nas regiões interiores junto à fronteira.

“Tudo é hackável”

Sempre que ouvimos falar dos nossos designios nacionais acabamos por ver tratados os mesmos temas: o turismo, o sol, etc. Poucas vezes se vê um olhar disruptivo sobre as coisas. Bobbie Johnson veio apresentar caminhos possíveis e acima de tudo deixou uma mensagem interessante. Tudo é hackável, no sentido em que tudo aquilo que tomamos como certo ou talvez território proibido, deixou de ser e pode ser fruto de inovação. Se já podemos imprimir orgãos humanos, se já temos impressoras 3D, se temos acesso a fábricas que podem fazer qualquer coisa, resta-nos a capacidade de inventar novos caminhos.

“I update, therefore i am not”

É sempre interessante trazer a estas conferências o contra-ponto. Andrew Keen, autor de “Digital Vertigo”, veio trazer a mensagem de que afinal “privacy is the new thing” e de que “a internet precisa de aprender a esquecer”. Aliás, não é ele o primeiro a lançar este aviso, principalmente se pensarmos nos nativos digitais que vão ter toda a sua vida publicada desde o dia em que nasceram até…

Penso muitas vezes que não ter havido alguma tecnologia nos anos 80 só pode ter sido uma coisa boa.

Foi uma apresentação quente, perante uma audiência super-fan pelo tema do social e que baseia muitas das suas ideias e start-ups nesse conceito. O livro dele já está em leitura.

Jovens afoitos

No meio disto tudo ainda houve mais… jovens que ganharam uma bolsa para um ano sabático a correr mundo, jovens que vão passar as férias a viajar e a conhecer start-ups por essa europa fora, o novo projecto do Miguel Gonçalves e que promete revolucionar a troca de cv’s e a promoção pessoal, muitas ideias, muitos projectos e muitos conselhos.

“Vais participar ou vais ficar a ver?”

E assim se passaram dois dias. Dois dias que me encheram de esperança no futuro. E devemos ter estado com os futuros líderes, CEO’s, founders, figuras de revelo das próximas décadas da economia nacional.

Temos gente, temos um ecossistema, temos “garagens”, temos ambição, temos garra… tenho a certeza de que isto ainda vai ser memorável.

Parabéns!

No meio faltou dar os parabéns ao Ricardo Sousa e a toda a equipa pelo excelente evento. Venham mais!

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