Question Everything .is/listening
Written by Jorge Oliveira / 15.01.2013

Bio-conteúdo

Já vos falei da ideia dos bio-conteúdos?

Às vezes ponho-me a olhar para alguns sites e a imaginar que as bolas e os quadrados podem entrar em colisão, que um deles se pode desiquilibrar e cair e fazer ruir toda a estrutura.

Ou que a falta de actualização dos conteúdos podia originar uma degradação do próprio site, ou do canal, ou do que seja. Em vez de textos teríamos prados verdes, selva, as estruturas corrompiam-se. Podia nascer outro tipo de vida e ao mesmo tempo dava-me a noção de que aquilo já não tinha sentido.

Era uma forma de “esquecimento”, de memória perdida.

Imaginem um canal de televisão que ninguém vê? Porque é que as imagens não poderão originar algo diferente? Ou entrarem num fade-out eterno até ao apaganço total. As apps que instalei no telecoiso e que nunca uso? Degradavam-se até à morte natural.

Transportar para o conteúdo digital aquilo que acontece com o conteúdo analógico, deteriorar o pixel da mesma forma que o bicho e a humidade atacam o papel se não for mexido.

Por outro lado, penso nisto como a evolução natural do conteúdo numa perspectiva “biomimicry responsive content”, conteúdo vivo, que se define numa primeira abordagem e a quem se ensina como se deve comportar no que existe e no que há-de existir. 

Imaginem que as legendas dos filmes aumentam de tamanho pela percepção do tamanho do ecrã, ou pela percepção do grau de miopia do espectador, ou que percebem que lhes falta contraste para terem boa leitura, ou que o programa de televisão percebe que apaguei o som e passa a dar-me legendas.

Imaginar que por estar no telemóvel e em movimento acelerado, o conteúdo aparece muito mais curto e resumido. Mas quando sentir que estou calmo e em pousio, me dá conteúdo para uma leitura mais longa.

Imaginar que o conteúdo vai procurar outro, para acasalar e me dar um contexto mais amplo. Que ele próprio se agregava e associava.

Deviam ficar estas coisas do lado da tecnologia? Talvez… mas acho isso redutor. Se for o conteúdo a ter inteligência a coisa torna-se mais interessante. 

E é isto.