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Written by Jorge Oliveira / 26.09.2010

Jornais e Digital: vs ou mais?

A notícia do Destak não é novidade mas o tema anda a bailar nas nossas cabeças e nenhum de nós terá respostas, apenas ideias.

Os jornais perdem audiência no papel… é um facto, e ganham no digital. Isso não seria um problema se os jornais não vivessem também das vendas. E os novos leitores nos meios digitais ainda não asseguram receitas suficientes que sustentem uma redacção profissional, seja porque não compram o acesso aos conteúdos seja porque a publicidade online não traz o mesmo retorno.

E faço o meu disclaimer pessoal, eu sou da geração papel* e adoro ler em papel e ainda sou um ávido comprador de papel mas…

Aquilo que os jornais oferecem diariamente é uma oferta limitada em muitos aspectos: as noticias depois de impressas já se alteraram, os acontecimentos de última hora não entram na edição, ao fim do dia o jornal já parece da semana passada.

Por isso leio as noticias do dia online, seja no site, seja via RSS, no Twitter ou no Facebook. Gosto de ter as últimas em todos os meios por facilidade de acesso. A minha leitura digital é dispersa, quer pelo sitio onde leio quer pelo device que uso para ler.

Sobra aquilo a que chamo conteúdos premium, conteúdos com poder de atracção ao leitor que justifiquem a compra: mais contexto, mais profundidade nos temas, as opiniões e as crónicas, temas novos e alternativos e produção real de conteúdos em oposição à tradução e cópia das agências internacionais.

Eventualmente saímos do ritmo do diário mas teremos outro tipo de argumentos para outro tipo de valores e uma oferta distinta.

Este tipo de conteúdos aproxima-nos das grandes revistas de actualidade que vão surgindo e a Monocle é para mim um grande exemplo do que é fazer bem uma revista, em contra-ciclo, e cujo prazer de compra e leitura é proporcional ao custo da revista.

Se quiserem um exemplo português, destaco a Umbigo que soube encontrar o seu espaço de edição e cá continua ao fim de 8 anos.

Mas estes conteúdos foram os primeiros a desaparecer dos jornais assim que o tema do corte de custos foi posto em cima da mesa. Ainda ontem no Fala com ela isso foi abordado na conversa com o José Mário Silva a propósito do suplemento DNA do Diário de Noticias e que é uma conclusão a extrapolar para tantos outros.

Este tipo de leitura é exactamente o meu preferido para ser feito em papel. Gosto de levar os jornais e revistas a passear, de os riscar, de dobrar as folhas, de tomar notas no meu caderno para investigar coisas mais tarde. É esta experiência de papel que ainda gosto de ter e que espero que se mantenha.

Então e as coisas tipo iPad que vêm por aí? Não serão nova ameaça? Não irão elas assegurar a edição de conteúdos mais ricos e com uma experiência de leitura melhorada que nos afasta outra vez do papel? Não resolvem esta questão da pesquisa de temas acessórios ao que estou a ler?

É provável (de certeza) que sim. E com alguns meses de vida já muitas revistas e jornais criaram as suas aplicações para estes devices e que estão a vender a bom ritmo.

Mas…

. Se os jornais querem vender, seja em papel seja no digital, então a aposta nos conteúdos de qualidade é fundamental e sem ela só afundam mais o buraco onde estão metidos.

. A experiência do utilizador ditará o formato e a forma de chegar a esses conteúdos;

. Dos dois primeiros depende a resolução do modelo ou modelos de negócio que irão sustentar a estrutura de produção e distribuição.

Resumindo, abordar esta questão no sentido de um contra o outro parece-me redutor. Se for um mais o outro parece-me muito mais interessante.

*eu sou do tempo em que para ler o Diário de Noticias precisava do chão da sala 🙂

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