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Written by Jorge Oliveira / 28.12.2010

Jornais e revistas no universo tablet

Desde que as vendas caíram a pique que os jornais e revistas tentam por todos os meios encontrar uma solução que lhes permita sobreviver. Seja pelos modelos de acesso pago, seja por outra coisas. O que muitos ainda não se lembraram é de fazer a diferença pelos conteúdos impressos pelos quais pago cada vez mais… para obter cada vez menos. Mas o tema de hoje é outro.

Desde que surgiram os tablets com o seu novo conceito de leitura, muitos destes meios de comunicação viram aqui a luz ao fundo do túnel por que tanto ansiavam. Mas mais uma vez, ver a luz até a viram… mas foram contra ela tão depressa que ficaram ceguinhos.

primeiro os e-books

Utilizador recente de um destes tablets, tenho dedicado algumas horas a testar a experiência de leitura em ecrã, eu que tanto gosto do papel dos livros e de comprar revistas e de as admirar sob todos os seus aspectos.

O primeiro livro em formato ebook já foi lido com todo o conforto e sem quaisquer problemas, durante uma viagem de comboio. Foi bom porque carreguei uns quantos que tenho em fila de espera para serem lidos e no momento escolhi o que me apetecia. Poupei as costas porque não tive que os carregar a todos. Sublinhei palavras, pesquisei outras no dicionário, andei para trás e para a frente e a coisa até imita o som da página, deixa-me escolher a cor do papel que me seja mais agradável, o tipo de letra, a luminosidade do ecrã… resumindo, foi uma boa experiência.

depois os jornais e revistas

Passando ao universo dos jornais e revistas, a experiência tem sido menos agradável pelo simples facto de a maior parte deles não tirar qualquer partido das capacidades do meio e se limitarem a fazer copy-paste da edição em papel para uma suposta edição digital. E meus caros, não é isto que pretendo. Pretendo uma maior riqueza na abordagem e capacidades que não tenho em papel para que se me justifique a mudança e também a aquisição. Caso contrário continuo a ir ao site… gratuitamente.

a idade dos porquês

Se a experiência de visualização da página é diferente, porque não investirem numa paginação adequada a estes ecrãs? Se tenho a possibilidade de interactividade, porque é que a única coisas que posso fazer é virar a página? Porque é que não tenho a possibilidade de filtrar o jornal por temas ou assuntos e, mais uma vez, obter outros conteúdos: vídeos, fotos, noticias relacionadas, …? Porque é que temos que limitar a edição ao que foi imprenso e não lhe damos mais actualidade? Se tenho um cartaz de cinema, igual ao do jornal, não poderia ver o trailer? Ter link para comprar o bilhete? E se tenho palavras-cruzadas, porque é que não as posso fazer?

concorrência onde menos se espera

Sempre que se fala em fenómenos de concorrência lembro-me do senhor do quiosque aqui da rua que me vende menos jornais desde que tenho a máquina de café em casa.

Aconselhava-os a verem as aplicações que transformam os feed’s RSS em formatos magazine-like (coisas tipo Pulse ou Flipboard) e depois expliquem-me muito bem explicadinho quais os argumentos para os jornais não fazerem o devido investimento no meio se lá querem estar em condições.

Com aplicações destas, nada me impede de criar o meu jornal com as noticias de muitos meios… e para o meio… continua a não ir dinheiro.

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