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Written by Jorge Oliveira / 17.03.2014

Novas formas de dar notícias

Our end goal isn’t telling you what just happened, or how we feel about what just happened, it’s making sure you understand what just happened.

É desta forma que a Vox promete olhar para as notícias e eu digo que já fazem falta outras abordagens, sejam elas de que forma forem: na imprensa, na radio, na televisão ou mesmo na web.

Notícia e Informação

Faz-me sentido que se distingam as formas de dar notícias. Uma coisa é a ultima hora, aquilo que acabou de acontecer, outra coisa é o desenvolvimento e o contexto. E para cada um dos casos há experiências de leitura diferentes.

Faz sentido que os telejornais repitam até à exaustão a mesma noticia da mesma forma dias seguidos muitas vezes sem actualizarem a voz-off ou acrescentarem novos dados?

Recentemente surgiu uma aplicação/startup, de nome Circa, com uma equipa redatorial própria e dedicada a escrever as noticias para uma leitura móvel e que existe apenas neste ambiente, através da aplicação.

Uma das funcionalidades interessantes da Circa é que podemos escolher notícias que queremos acompanhar e somos informados sempre que o artigo é actualizado. Não é propriamente um artigo novo, é o artigo revisto e aumentado.

O papel a renascer

Em oposição, vamos descobrindo projectos editoriais que se apresentam apenas no papel, sem conteúdos online que não sejam apenas a sua promoção, a Offscreen é apenas um desses projectos.

Projectos que olham para a necessidade de dar conteúdo relevante, profundo, com leitura demorada, a pensar em públicos-alvo específicos, de nicho, mas que chegam lá de forma muito eficaz, e que não perdem por não serem online, muito pelo contrário.

Na parte que me toca, comprar o jornal diário é um desperdício mas agrada-me ver que as edições de fim-de-semana, para além dos suplementos de valor acrescentado, já olham para as noticias de forma mais alargada e é frequente que o mesmo assunto ocupe 3 ou 4 páginas, com conteúdo relevante, infografias, etc.

Entre mundos

Vivemos de facto entre mundos e ando cada vez mais curioso com o caminho que isto vai tomar, especialmente ao nível do modelo de negócio, que no meio da confusão generalizada, é aquilo que não tem (ainda) alternativa viável e deixa toda a a gente de cabelos em pé: marcas, meios e agências.

Só tenho a certeza de que o conteúdo é rei e que se não houver investimento nele nada mais se aguenta de pé: sem conteúdo relevante não há audiência, sem audiência não há publicidade, sem publicidade não há meio, sem meio não há informação e sem informação não há democracia nem sociedade livre.

Como é que vamos dar a volta a isto?