Question Everything .is/listening
Written by Jorge Oliveira / 11.11.2010

O futuro do vídeo é interactivo

Ao longo dos últimos anos têm sido feitas várias tentativas de transformar um meio linear como a televisão numa experiência interactiva. Pelo caminho houve muita parvoíce, como é costume. Nunca percebi que interesse teria eu em estar a ver um filme e poder escolher as câmaras, ou parar o jogo de futebol para ver estatísticas de jogo ou fazer compras.

Felizmente isso passou, a internet está a entrar nos electrodomésticos e o caminho será outro. Pelo meio melhoraram-se meios de produção, introduziram-se novos formatos, os cenários virtuais dão outra capacidade às emissões, fala-se muito em 3D… mas o vídeo continua a ser linear. Não por muito tempo.

O futuro do vídeo é ser interactivo e este exemplo que aqui trago, arriscando-se a ser um OBNI, é já um belo exercício que mostra as portas por onde podemos entrar.

Estamos perante um vídeo-clip, onde por pura graça podemos escolher as próximas acções do cantor. E o que é certo é que acabamos por nos divertir um bocado a ver as possibilidades e depois com o defeito profissional, a adivinhar os cortes entre sequências. No fundo, aquilo que o vídeo interactivo nos traz é a possibilidade de navegarmos entre layers de conteúdo, uns mais acima, outros mais abaixo. Em termos de narrativa, não temos uma única história, temos várias, mas podemos saltar entre elas e reencontrar personagens duma nas outras.

Pensem nos filmes ou series onde a edição nos traz este efeito de saltos no tempo e entre camadas. Mas sempre sem podermos decidir por onde queremos ir.

Se no campo do puro entretenimento a escolha dos caminhos numa narrativa nos pode tirar o prazer de sermos apenas espectadores que desfrutamos da obra, noutros âmbitos vejo aqui boas possibilidades de reinventar uma serie de abordagens e de conseguir misturar na mesma fôrma, formas de comunicação que parecem incompatíveis.

O futuro do vídeo é entrar na interactividade, e aquilo que disso se pode extrair é muito mais que a soma das partes.

Agora deixo-vos o vídeo do Andy Grammer, divirtam-se com as vossas opções, que nós por aqui vamos fazer umas experiências.