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Written by Sandra Estevam / 25.02.2011

O papel? Qual papel?

Há algumas semanas, descobri ao estacionar o carro numa das ruas ao pé da estação de comboios da Amadora, uma papelaria, tabacaria algo singular. Em vez de papeis colados na montra a anunciar a raspadinha, ou a promoção do DVD que vem com a revista X ou Y, tem um LCD com essa informação. Útil para clientes e transeuntes.

A singularidade não reside no facto de ser uma papelaria, já que há algum tempo que algumas papelarias e tabacarias, existentes em centros comerciais e galerias, já aderiram a estes meios, mas sim ao tipo de loja em si. Por ser uma loja de bairro, numa zona com uma população maioritariamente idosa, numa montra pouco estudada… Isso não os desmotivou a inovar.

Não tiveram receio de simplesmente substituir um meio por outro. E os idosos do bairro, olham… pois claro é novidade e lá têm mais um tema de conversa no café. E não creio que nenhum dos clientes se preocupe com a falta de gosto gráfico da solução em si.

E o papel na montra? Qual papel?

E as revistas todas penduradas à porta a apanhar pó, estão na concorrência. Ali as revistas estão respeitosamente resguardadas do pó e da humidade do Inverno. As capas dos principais jornais e revistas estão a passar no LCD, para quem quiser ver.

Já na ScreenExpo 2009

Há cerca de 2 anos, numa conferência em Londres assisti a uma talk em que uma empresa local, especialista em digital signage, apresentava um case studie, sobre a troca de cartazes (retro-iluminados) na loja de um cliente, por LCD’s com a mesma informação.
O estudo era muito interessante porque foi efectuado durante um período longo (não me recordo do tempo correto de estudo) e focava também os custos e a pegada ecológica das duas soluções.

O estudo apontava para a solução digital, ser não só mais eficaz em termos de objecivos de comunicação, como mais ecológica a longo prazo. Recordo-me de que o único senão tinha a ver com a reciclagem dos equipamentos, que era mais fácil e barata para a solução de papel, embora neste caso específico como os cartazes eram iluminados tiveram de ter em conta a reciclagem das lâmpadas florescentes, que também não era fácil e barata.

A redundância de papel

A adopção do digital está em marcha em todo o lado, mas estaremos prontos para nos libertarmos do formato papel, quando já estamos a criar redundância nos meios e nos objetivos?