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Written by Jorge Oliveira / 27.04.2010

O que eu gostava de ter uma loja…

Ter um escritório no quinto andar é bom. Dá para abrir as janelas, deixar entrar o ar e ver as vistas. Mas o que eu gostava mesmo era de ter o escritório numa loja. E até podia ser uma daquelas reliquias com balcão de madeira, prateleiras e se possivel manter a senhora que desde sempre atendeu todas as vidas que por lá passaram.

E quanto mais penso nisto mais sentido me faz. Por várias razões:

Fazer parte da comunidade

Ter uma loja, numa rua da cidade dar-nos-ia a visão do mundo que passa, mesmo ali ao pé. Podemos sair à porta e encontrar as pessoas de todos os dias, criar relações, ser mais transparentes na acção, darmo-nos a ver. Deixamos de ser as pessoas do 5º andar para sermos as pessoas ali do lado.

E cada vez acredito mais que a nossa responsabilidade social passa não só pelas grandes acções mas também pela proximidade à comunidade onde nos inserimos e onde normalmente nos comportamos como estranhos. Não tem que ser assim.

Re-urbanizar

Não há coisa pior para uma rua que as lojas fechadas, entaipadas, abandonadas. A sua ocupação com negócios, ateliers criativos, serviços, etc, são a vida que trará mais vida. Nem todas as lojas precisam de ser de roupa, de sapatos ou de bancos.

Negócio local

O facto de estarmos ao nível da rua pode facilitar a realização de pequenos negócios. E a ideia não é original. Em Londres vi uma produtora de vídeo que ao balcão realizava uma serie de pequenos serviços de conveniência, rápidos, banais, mas que para quem os pedia era importante que fossem bem feitos, a preço justo, sem pagar uma estrutura gigante. Se se lembrarem das lojas Planet que por cá andaram nos anos 90, havia muita coisa desta que se resolvia até fora de horas.

Configurar um blog? Ajuda para criar uma página no Facebook e implementar ligações automáticas entre outros pontos digitais? Sem problema. Faz-se já!

A montra

Se pensarmos nos nossos negócios de digital signage e na necessidade de testarmos conceitos, nada melhor do que termos a nossa própria montra, com ecrãs, webcam’s e etc, onde pudéssemos testar soluções e ideias antes de implementarmos no cliente, obtendo feed-back imediato das pessoas na rua.

“Estamos abertos”

Mais do que uma questão mental, estaríamos de facto muito mais abertos ao mundo que nos rodeia e que deixava de entrar apenas pelos RSS’s. Agora seria real.

E tanto que se podia aprender com uma experiência destas.