Bioconteúdo… estaremos perto?

Já vos falei da ideia dos bioconteúdos?

Às vezes ponho-me a olhar para alguns sites e a imaginar que as bolas e os quadrados podem entrar em colisão, que um deles se pode desiquilibrar e cair e fazer ruir toda a estrutura.

Ou que a falta de actualização dos conteúdos podia originar uma degradação do próprio site, ou do canal, ou do que seja.

Em vez de textos teríamos prados verdes, selva, as estruturas corrompiam-se. Podia nascer outro tipo de vida e ao mesmo tempo dava-me a noção de que aquilo já não tinha sentido.

bioconteúdo activemedia

Era uma forma de “esquecimento”, de memória perdida.

Imaginem um canal de televisão que ninguém vê? Porque é que as imagens não poderão originar algo diferente? Ou entrarem num fade-out eterno até ao apaganço total. As apps que instalei no telecoiso e que nunca uso? Degradavam-se até à morte natural.

Bioconteúdo como forma de evolução?

Transportar para o conteúdo digital aquilo que acontece com o conteúdo analógico, deteriorar o pixel da mesma forma que o bicho e a humidade atacam o papel se não for mexido.

Por outro lado, penso nisto como a evolução natural do conteúdo numa perspectiva “biomimicry responsive content”, conteúdo vivo, que se define numa primeira abordagem e a quem se ensina como se deve comportar no que existe e no que há-de existir. 

Imaginem que as legendas dos filmes aumentam de tamanho pela percepção do tamanho do ecrã, ou pela percepção do grau de miopia do espectador, ou que percebem que lhes falta contraste para terem boa leitura, ou que o programa de televisão percebe que apaguei o som e passa a dar-me legendas.

Imaginar que por estar no telemóvel e em movimento acelerado, o conteúdo aparece muito mais curto e resumido. Mas quando sentir que estou calmo e em pousio, me dá conteúdo para uma leitura mais longa.

Imaginar que o conteúdo vai procurar outro, para acasalar e me dar um contexto mais amplo. Que ele próprio se agregava e associava.

Deviam ficar estas coisas do lado da tecnologia? Talvez… mas acho isso redutor. Se for o conteúdo a ter inteligência a coisa torna-se mais interessante. 

E é isto. Qualquer coisa falamos.

(este artigo foi revisto em 20/08/2021 mas escrito originalmente em 15/01/2013)

Photo by Chris Abney on Unsplash

5 thoughts on “Bioconteúdo… estaremos perto?”

  1. Engraçado que tenho andado a pensar bastante nisso. Tanto na questão da percepção automática das coisas como na relação analógico/digital.

    Uma das ideias seria o de prevenir que, por exemplo, se vissem determinados conteúdos num telelé enquanto se conduz. Ou seja, a conduzir não havia SMSs nem emails.

    Depois em relação ao analógico/digital, a verdade é que o digital tem sido um reflexo do analógico. Um portal é quase que uma revista com botões para passar de página. Este tem sido o meu debate mental, o de como “resolver” isto.

  2. Jorge Oliveira

    Os emails podiam auto-responder: O Jorge agora vai a conduzir responde mais tarde, ou está a meio duma reunião e só vai ver os emails ao fim do dia.

    Por outro lado, começas a querer ter no analógico a mesma experiência de relação/interacção que existe no digital.

    Estamos num impasse 🙂

  3. Pingback: O meu site é um bonsai: 8 dias simples [Blog da ActiveMedia]

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