Criar um site em 2026: o que mudou e o que precisa de saber

AI, impaciência, novos formatos: criar um site em 2026 não é o mesmo que há 5 anos. Um guia honesto sobre o que mudou e como resolver.

Criar um site em 2026 é totalmente diferente do que era há 3 ou 4 anos.

E nem sequer estou a pensar nas novas tendências visuais do web design ou no surgimento de novas formas de construir ou programar um site.

Hoje quero falar de outras mudanças que já aconteceram e que estão a impactar os resultados dos sites atuais, e a maior de todas chama-se Zero Click Search.

Trocado por miúdos, é o efeito de fazer uma pesquisa, ficar satisfeito com os resumos apresentados pelo AI e não clicar em mais nada.

De um dia para o outro, estar na primeira página dos resultados de pesquisa pode significar o mesmo que nada.

Significa isto que os sites perderam a sua relevância? Nunca! Temos é que os construir com outras preocupações em mente.

Passo a passo, vamos explicar qual é a nossa abordagem para criar um site em 2026.

criar um site em 2026

Criar um site para continuar a ser relevante em 2026

Se a AI responde antes de nós…

Já estamos todos no mesmo barco. Fazemos uma pesquisa e o primeiro resultado é um resumo gerado por inteligência artificial que, além de explicar tudo, ainda indica alguns links para continuar a explorar.

Esse resumo é muitas vezes suficiente para nos dar o que precisamos, incluindo links para empresas, produtos ou serviços e ignorarmos os resultados que aparecem mais abaixo.

Como criar um site que nos potencie para aparecer nos resumos da AI?

1. SEO + AIEO

O Search Engine Optimization, SEO, não morreu; longe disso, é mais importante do que nunca, porque seguir as suas regras ajuda a estruturar o site e o conteúdo para também serem relevantes para a AI.

E nesse sentido, há elementos que continuam a ser essenciais.

Os títulos principais de cada página devem estar alinhados às expressões de pesquisa que os clientes vão usar.

As metadescrições continuam a fazer diferença. E o conteúdo precisa de estar bem estruturado, com princípio, meio e fim, e ser genuinamente relevante.

Se isto tudo for bem feito e significar um site bem estruturado, então quando se criar o ficheiro llms.txt, que é equivalente ao sitemap.xml, qualquer plataforma de AI vai conseguir ler o nosso site por inteiro, compreendê-lo e poder referenciá-lo em resumos ou como resultado de prompts.

2. Conteúdo relevante

A AI “pensa” de forma diferente e não se limita a ler. Ela quer compreender para aprender e, com isso, criar novas respostas.

Se a máquina não promove conteúdo que ela própria poderia ter escrito, a resposta é criar conteúdo único, humano e orgânico.

Conteúdos com um ponto de vista, experiência real e substância fazem a diferença. E também bem editados, com uma boa estrutura de subtítulos a separar os tópicos, bolds a realçar palavras e links para descoberta de novos conteúdos.

E agora a parte mais interessante. Um conteúdo editado desta forma, transmite ao AI uma estrutura que ele também consegue ler e entender.

3. Algoritmos como persona

Por muito estranho que pareça, devemos começar a encarar o algoritmo como uma das nossas personas.

Se criarmos conteúdo a pensar nas diferentes personas do nosso negócio, desde as que apenas procuram informação, até as que decidem e as que influenciam, a AI passa a ser uma persona relevante porque influencia em contexto de perguntas muito concretas.

E como se faz com outros constrangimentos do design, assumir este constrangimento vai-nos ajudar a repensar o conteúdo para ser relevante para pessoas e máquinas.

As pessoas, já sabemos, têm pouca atenção e procuram respostas simples e rápidas.

Ao contrário, o AI lê tudo ao detalhe.

Equilibrar esta forma de distribuir e apresentar conteúdo será a pedra de toque para criar um site de sucesso.

Se o design não cabe no ecrã…

A primeira vez que ouvimos falar em design responsivo, foi quando os primeiros telemóveis nos permitiram aceder à web.

Criar um site responsivo é efetivamente garantir que ele se adapta à dimensão de ecrã a partir do qual é acedido.

Mas agora surgem outros desafios a este nível. Alguns ecrãs aumentaram para o triplo, outros reduziram-se ao nosso pulso, outros dobram-se, daqui a tempos, os óculos serão uma realidade efectivamente útil. E em alguns casos, esta visualização até se faz sem design associado. Apenas consumimos os conteúdos.

Como criar um site acessível em todas as situações?

1. Acessibilidade como norma

Quando se fala de acessibilidade, o nosso preconceito leva-nos logo a pensar apenas em pessoas cegas, surdas ou fisicamente incapacitadas.

Mas aquilo que as normas de acessibilidade acabam por fazer, é promover que a criação do site seja feita de acordo com os standards da web, e dessa forma poderem responder bem a todos os pedidos de acesso.

Vamos mais uma vez falar da estrutura, visível e invisível, de conteúdos bem formatados, de bons contrastes entre fundos e conteúdo, de menus bem organizados, de ações simples e objetivas.

Tratar de acessibilidade também é tratar de outros temas, porque, quando se cria um site, todos os temas estão interligados.

E, ao mesmo tempo, pode oferecer mais garantias de que o site sobreviverá bem à próxima vaga de evoluções. Até a resultar bem nos óculos.

2. Design flexível e escalável

Os design systems já andam por aí há anos. O que muda é a necessidade de manter um site mais vivo e duradouro.

Mais do que garantir consistência entre páginas, é preciso criar estruturas suficientemente flexíveis que possam viver em sítios que ainda não existem e dar suporte a novas áreas de conteúdo que ainda não foram pensadas, mas que vão ser.

Criar um site deixou de ser um projeto com princípio, meio e fim. “Always in progress” será o mote porque é assim que a vida acontece.

E o site também é um ser vivo. Por isso, a criação de um design baseado em componentes e padrões reutilizáveis é mais interessante do que criar um design fechado e estanque.

Se o site está lento…

Se um site demora a carregar, vamos procurar a resposta noutro lado. É uma evidência.

Acontece que os bots que lêem os sites para indexá-los também fazem o mesmo.

Resumindo, por muito que siga todas as regras de SEO, de relevância de conteúdo, de facilidade de navegação e tenha um design agradável, a velocidade de carregamento pode prejudicar a performance geral.

E isto pode acontecer por vários factores. Basta que não se otimizem imagens, que o alojamento não seja o mais adequado, ou que a arquitetura de informação não seja a melhor e implique muitos cliques para encontrar a informação.

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Como criar um site com bom desempenho?

1. Sustentabilidade digital como abordagem transversal

Já temos a acessibilidade, a responsividade, a usabilidade, a experiência, o SEO, o AIEO, a segurança e a privacidade sempre presentes em todas as fases do design… falta acrescentar a sustentabilidade como desafio adicional.

A sustentabilidade digital advoga que sendo o nosso consumo digital um dos maiores emissores de CO2, e havendo uma corrida às centrais de energia para alimentação das grandes empresas de alojamento e de cloud, devemos tomar todos os cuidados para que o site não consuma recursos desnecessários.

Mas se o site for criado de acordo com os pontos anteriores, estaremos no bom caminho.

A estrutura de conteúdos e navegação será adequada aos utilizadores, reduzindo o tempo de procura da informação e o consumo de recursos.

E esta é apenas uma das vertentes. Se depois tivermos cuidado com as imagens que publicamos, com a forma como alojamos os vídeos e com as decisões sobre o alojamento a contratar, teremos um site ágil e que carrega rapidamente, melhorando a experiência dos utilizadores.

Se já estamos em todo o lado…

E vamos continuar a estar, porque qualquer marca vive no mundo, o que implica estar presente em muitos pontos de contacto digitais e físicos.

Desde newsletters, redes sociais, podcasts, microsites, ebooks, digital signage, no universo digital, a publicidade exterior, viaturas, lojas, publicidade em jornais, revistas e televisão, por outro, todos eles devem ter um ponto a que apontar.

E esse ponto, esse eixo central, deverá ser sempre o site.

Criar um site é …

1. Manter e proteger a marca

As plataformas aparecem e desaparecem, ou transformam-se em outras coisas. O MySpace já lá vai, o Twitter transformou-se, o TikTok está sempre a ser ameaçado de bloqueios e, em cima da mesa, está a discussão sobre o acesso de menores a estas redes.

Criar um site próprio, com o domínio adequado, é a única forma de garantir uma presença digital que depende apenas da marca que o criou.

2. Controlar a mensagem

Só num site próprio podemos comunicar da forma que a marca precisa, com o tom e a voz definidos. Com a nossa narrativa, as nossas imagens, os nossos links.

Dizemos o que queremos, como queremos, sem termos de prestar contas a terceiros, a não ser aos nossos próprios utilizadores e a nós próprios.

3. Controlar a experiência

Do primeiro contacto à conversão, do conteúdo ao suporte… A experiência é concebida para os utilizadores, de uma ponta à outra.

E até a alterarmos, temos a certeza de que vai ficar assim.

4. Assegurar a soberania sobre os conteúdos

Tenho muita pena de pessoas ou marcas que ficam sem os seus conteúdos porque uma das famosas plataformas resolveu fechar-lhes as contas.

Mas… não tem sido por falta de aviso. Investir em conteúdos que ficam apenas na casa de terceiros é um risco.

E, dadas as recentes alterações na ordem mundial, temos a certeza de que elas se vão manter abertas na Europa? Ou vão acontecer coisas?

E os dados que vamos recolhendo dos nossos utilizadores e clientes. Temos a certeza de que estão protegidos à luz das normas europeias?

Ou por palavras mais complexas… estamos em conformidade?

Esta soberania sobre conteúdos e dados não é um detalhe técnico; é uma necessidade e uma vantagem estratégica.

5. Confiança a longo prazo

Criar um site é criar um ponto de confiança e credibilidade para toda a vida.

Desconfio de uma marca que não tenha site e costumo dar um exemplo muito simples… se negócios menos escrupulosos criam sites para enganar incautos, qual é a dúvida de um negócio legítimo em criar um site que credibilize a sua atividade.

Criar um site é criar o único sítio onde o conteúdo acumula valor em vez de desaparecer na espuma do feed.

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Criar um site em 2026 é responder a novos desafios

Criar um site já não deve ser um processo que se limita a criar um design apelativo e cativante.

Criar um site é cada vez mais um processo que envolve decisões em disciplinas diferentes, mas, juntas, conseguem promover maior relevância no ecossistema digital.

Criar um site é criar o ponto central da comunicação da marca, que deve influenciar tanto pessoas quanto máquinas.

Criar um site em 2026 está a ser diferente de criar um site em anos anteriores.

Mas, afinal de contas, nós somos designers e adaptar-nos a mudanças é o nosso nome do meio.

Dúvidas, discordâncias, outras ideias, outros desafios… estamos sempre on the line, ou à distância de um café. 😉

Todas as ilustrações usadas no artigo “Criar um site em 2026” foram originalmente criadas por BoykoPictures

p.s – se acha que o seu site não está a responder a estes desafios, podemos ajudar 🙂

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