Design thinking: mais do que post-it na parede

“Post-its e canvas”. O design thinking é só isso – ou é mais do que isso? Venha daí descobrir.

O que é o design thinking

Segundo Levy (2014) o termo design thinking foi popularizado pelo professor de Stanford, Rolf Faste, o qual definiu como uma forma de ação criativa. Posteriormente, foi adaptado a administração por seu colega em Stanford, David M. Kelley, fundador da IDEO, empresa americana de consultoria em design de produtos, que apesar de não ter criado o termo foi uma das primeiras formadoras de opinião a respeito.

Camila Cabrera Gomes e Luciane da Silva Gomes

O artigo da wikipédia apresenta o design thinking como “um método para estimular ideação e perspicácia ao abordar problemas, relacionados a futuras aquisições de informações, análise de conhecimento e propostas de soluções. Como uma abordagem, é considerada a capacidade para combinar empatia em um contexto de um problema, de forma a colocar as pessoas no centro do desenvolvimento de um projeto; criatividade para geração de soluções e razão para analisar e adaptar as soluções para o contexto.

“Design thinking is to have a bias toward action and empathy toward who you are designing for … to not have a fear of failure.” — Bernie Roth, Director Hasso Plattner Institute of Design at Stanford University

(via IDEO)

Ao pesquisar um pouco mais (na Academia.Edu há inúmeras referências ao design thinking) encontrei a definição de Tim Brown, da IDEO (uma das referências na área do design thibking):

Design thinking is a human-centered approach to innovation that draws from the designer’s toolkit to integrate the needs of people, the possibilities of technology, and the requirements for business success.

Tim Brown, IDEO

No website IDEO encontramos um separador inteiramente dedicado a FAQ sobre design thinking e à sua definição. Por sua vez, Gabriel Augusto da FLAG, sublinha que o design thinking é um processo de pensamento que permite a organização de pensamento crítico e criativo, no sentido de abordar problemas complexos e solucioná-los. Para o director da FLAG , esta abordagem integra práticas e metodologias estruturadas que nos ajudam a trazer clareza para os problemas que temos em mãos.

A meu ver, uma das práticas importantes do design thinking relaciona-se com a atenção dada à pergunta. Para resolver o problema é investido algum tempo ao problema em si mesmo e às perguntas colocadas para o resolver. Além disso, há um movimento intencional de não cair no mesmo tipo de respostas de sempre, às formas habituais de responder aos desafios. Antes de partimos para encontrar as respostas certas, focamo-nos em elaborar as perguntas certas.

O erro é entendido como algo que faz parte do processo. Errar permite-nos aprender, testar, avançar, recuar e quem sabe encontrar o inesperado. Fazendo uso das palavras de Vitor Lima, diria que o design thinking promove “a mente aberta para as múltiplas possibilidades que se abrem ao errarmos”.

A procura de uma nova forma de fazer algo tem permitido que o design thinking seja associado à inovação. Tal como referem os autores do estudo Ensino para a inovação: porque é tão importante formar pessoas inovadoras?, “as organizações dependem da inovação para a sustentabilidade e melhoria de seus negócios por meio da obtenção de vantagem competitiva. Entretanto, a inovação não ocorre por si só, ela depende das pessoas que, por sua vez, pensam e realizam suas atividades interagindo de diversas formas entre si e com o processo.”

Para Gabriel Augusto o design thinking é um mindset que permite revolucionar o modo como procuramos e encontramos soluções inovadoras para os problemas e desafios; mindset esse que é focado nas pessoas.

Proporcionar às pessoas o contacto com esta abordagem facilita o trabalho das competências de pensamento crítico e criativo que fazem parte das 10 job skills of tomorrow (World Economic Forum).

A empatia é outra das características do design thinking e é algo que reforça a ideia de que é uma abordagem centrada no lado humano das equipas e dos projectos. Por empatia entende-se aqui a atenção e o cuidado ao contexto no qual estamos a trabalhar, à personalidade das pessoas envolvidas ou a quem se destina a solução, bem como ao comportamento.

A quem se destina o design thinking

A abordagem design thinking tem aplicações em inúmeros contextos, da educação às vendas, passando pela estratégia e os recursos humanos e pela saúde:

Há estudos que abordam a aplicação do design thinking aos espaços públicos. Eu própria já apliquei a estrutura de design thinking numa oficina de filosofia para crianças.

“Educators aim to equip students with learning strategies they can apply when approaching new problems on their own. Teaching design-thinking strategies may support this goal”, defendem os autores do artigo Educating and Measuring Choice: A Test of the Transfer of Design Thinking in Problem Solving and Learning.

O design thinking está pensado para as pessoas e por isso pode ser aplicado onde quer que haja pessoas (humanas!). Exige que se abandonem os hábitos de pensar e de fazer e que haja disponibilidade para fazer o mesmo de modo diferente. A prática do design thinking é estruturada, o que nos permite alguma segurança sobre os passos a dar, e tem um lado lúdico: quem não se diverte a brincar com post-it coloridos, hein?

Sugestões para conhecer e aprofundar a área do design thinking

Pretende saber mais sobre esta abordagem? Além do webinar do Gabriel Augusto que partilhei anteriormente, recomendo que acompanhe a Mindshake e que leia a sua proposta de Design Thinking para a Inovação Social, Desenvolvimento do modelo Social Evolution 6.

Na plataforma coursera encontra o curso design thinking para a inovação, ministrado por Jeanne M. Liedtka.

O já referido website IDEO tem um separador de recursos que inclui livros, cursos e outros. Vale a pena espreitar!

Se é fã de podcasts convido-o/a a visitar esta lista de podcasts sobre a temática.

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