O desafio da formação remota é o método, não é a distância

Quando a palavra remota passou a ser de uso diário, evidenciou-se o trabalho. Mas e a formação remota? O desafio não é a distância, é o metodo.

A questão não é se o trabalho remoto veio para ficar. Esse já é um tema ultrapassado e essa discussão está encerrada.

A questão, mais urgente e mais difícil, é: como é que a formação remota vai resultar. Como é que formamos, desenvolvemos e alinhamos pessoas que nunca, ou muito raramente, partilham o mesmo espaço físico?

Porque, no fundo, há uma ilusão confortável em que muitas empresas ainda acreditam: a de que basta pegar num programa de formação que funcionava presencialmente e transportá-lo para qualquer plataforma digital e que isso é formação remota.

O resultado, quase sempre, é uma série de videoconferências longas, colaboradores com câmaras desligadas e uma sensação geral de toda a equipa de que o tempo poderia ter sido mais bem aproveitado, já que o trabalho “a sério” ficou a acumular.

Vamos por partes.

formação remota e assíncrona

Confundir canal com método

Se pensarmos bem, a primeira decisão numa estratégia de formação remota não é sobre conteúdo, é sobre tempo.

Que momentos de aprendizagem precisam de acontecer em simultâneo, e quais podem (e devem) acontecer quando cada pessoa está disponível e receptiva?

A aprendizagem assíncrona, isto é, vídeos gravados, módulos interativos e documentação estruturada, tem uma vantagem que frequentemente subestimamos: permite que cada pessoa chegue ao conteúdo no seu melhor momento cognitivo, sem a pressão de um calendário que serve a organização e não o formando.

Mas a aprendizagem assíncrona exige disciplina na produção.

Não é um webinar gravado. É conteúdo estruturado, com uma lógica pedagógica clara, que respeita a atenção de quem o vai consumir de forma autónoma.

Os MOOCs (Massive Open Online Courses) são, neste contexto, uma referência útil: provaram que é possível formar milhares de pessoas em simultâneo, com elevada qualidade pedagógica, sem que ninguém precise de estar no mesmo sítio à mesma hora.

Não é só “fazer um MOOC”, mas perceber o que os torna eficazes, a estrutura modular, o ritmo controlado, os momentos de verificação integrados, e aplicar esses princípios à formação interna da equipa.

O papel do conteúdo de qualidade

Num contexto de formação remota, o conteúdo tem de trabalhar sozinho.

Não há um formador na sala para perceber que o grupo se perdeu numa explicação e ajustar em tempo real. Não há uma dinâmica de grupo que puxe a atenção dos mais distraídos.

O vídeo, o módulo interativo, o documento, têm de ser suficientemente claros, envolventes e bem estruturados para cumprir a sua função sem apoio externo.

Isto é, no fundo, design de conteúdo aplicado à formação remota:

  • Vídeos curtos (entre 5 e 10 minutos por módulo) com uma única ideia central cada.
  • Animações para explicar processos complexos que resistem à linguagem escrita.
  • Momentos de verificação de aprendizagem integrados no próprio conteúdo, não como avaliação formal, mas como oportunidade de consolidação.
  • Uma estrutura modular que permita ao colaborador navegar ao seu ritmo e regressar ao que precisa de rever.

Esta abordagem não é mais cara do que fazer formação presencial recorrente e é bem mais escalável. Um módulo bem produzido hoje forma dez pessoas ou dez mil, com o mesmo nível de qualidade.

A dimensão que a plataforma de gestão de aprendizagem não resolve

Podemos ter a melhor plataforma de gestão de aprendizagem do mercado (os chamados LMS, ou Learning Management Systems) e, ainda assim, ter uma equipa remota sem cultura partilhada, sem sentido de pertença e sem a capacidade de colaborar sob pressão.

Porque a formação técnica é essencial, claro, mas não é suficiente.

O erro comum é pensar que a coesão de uma equipa remota se constrói com team buildings virtuais.

Isso é sintoma de uma estratégia que não existe. A coesão constrói-se com rituais consistentes: rituais de comunicação, de partilha de contexto, de celebração de resultados, de discussão honesta sobre o que está a correr mal.

E esses não acontecem espontaneamente, ao contrário do que ocorria de forma orgânica nos corredores do escritório. Isto leva-nos a outra questão fundamental, que é a formação de líderes de equipa remota.

Estarão os lideres preparados para gerir a dinâmica das novas equipas remotas ou híbridas?

Um líder que não sabe gerir a comunicação assíncrona, que convoca reuniões para assuntos que poderiam ser um email, ou que mede a presença em vez do resultado, vai neutralizar qualquer investimento feito em plataformas ou conteúdo.

O que medir para saber se está a funcionar

As métricas de formação remota são, frequentemente, fracas por si só para avaliar o seu impacto: taxa de conclusão de módulos, horas de formação consumidas, resultados de testes de avaliação porque são indicadores de atividade, não de aprendizagem.

O que vemos na prática é que os indicadores mais reveladores são indiretos: a velocidade com que novos colaboradores atingem autonomia, a redução de erros repetitivos nos processos, a capacidade da equipa de resolver problemas sem escalarem para as chefias, o nível de iniciativa e de igualmente importante a partilha de conhecimento entre pares.

Estes são os sinais de que a formação teve impacto real, e exigem uma visão mais longa e mais estratégica do que um simples relatório de conclusão de módulos.

Onde começar, então?

Antes de investir em plataformas ou produzir conteúdo para criar a sua formação remota, vale a pena responder a algumas perguntas:

  • Que conhecimento crítico existe apenas na cabeça de duas ou três pessoas?
  • Que processos estão documentados de forma que alguém possa aprendê-los sem pedir ajuda?
  • Onde é que os novos colaboradores perdem mais tempo nas primeiras semanas?
  • Que reuniões recorrentes poderiam ser substituídas por conteúdo assíncrono bem estruturado?

As respostas a estas perguntas definem as prioridades. E as prioridades definem uma estratégia, não uma lista de cursos.

No final, a pergunta a fazer não é “qual é a melhor plataforma de e-learning?”, mas “que experiência de aprendizagem queremos criar para a nossa equipa?”. A resposta a essa pergunta é o que diferencia uma estratégia de formação remota de uma simples lista de webinars.

A ActiveMedia apoia empresas no design e produção de conteúdos formativos, de vídeos de onboarding a módulos de e-learning, pensados para equipas distribuídas.

Se está a repensar a jornada de aprendizagem da sua equipa, fale connosco.

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