Painstorming? Prefiro User Centered Design

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Hoje deparei-me com um artigo da Inc. sobre uma nova tendência de geração de ideias: painstorming, em oposição ao famoso brainstorming. E isso deu-me que pensar.

Não que o conceito esteja totalmente errado, está até bem explicado e afinal PAIN tem um certo significado:

P para persona, A para Activities, I de Insights e N de Needs.

Basicamente, aponta ao processo de geração de ideias tendo como objectivo resolver os pain points do cliente, ou seja, as dificuldades ou os atritos em oposição a um simples processo de gerar ideias potencialmente em abstrato e cujo resultado final pode não ser interessante.

Gerar ideias em abstrato é giro, pode ser apenas parvoice entre amigos, ou uma forma de encontrar um caminho disruptivo para algo que se quer novo. Mas se temos em vista a resolução de algo, então venham de lá esses constrangimentos.

Painstorming será então…

Um processo de design, uma forma de encontrar novas soluções para problemas, atendendo a constrangimentos, uma tipologia de utilizador e suas necessidades.

Recorrendo a outro palavrão da nossa área, isso para mim é User Centered Design, ou UX Design ou apenas Design. Porque o design é acima de tudo um processo, não apenas uma forma.

Design tem propósito

Aos designers e criativos é muitas vezes atribuida uma filosofia de vida sempre fora da caixa e disruptiva. Porque se assume que dentro da caixa onde estão os problemas não pode estar a solução.

Mas a questão é que pode. Porque a caixa são os constrangimentos com que temos que lidar.

Por exemplo, se um negócio tem uma determinada forma de actuar no mercado, o processo de design pode sempre sugerir outras, com menos atritos, mais fácil ou mais acessível.

Mas se esse mesmo negócio tem uma imposição legal ou regulamentar que o impossibilita de fazer doutra forma, então esse é um constrangimento com que temos que trabalhar e contornar, para tornar a experiência melhor para o utilizador.

O processo criativo não pode ser desligado do mundo, mesmo quando queremos criar uma disrupção.

O mundo será sempre a base de trabalho, e com ele vêm as pessoas, as suas actividades e necessidades.

O design tem sempre um propósito por detrás das suas ações. Se não tem, então podemos estar perante uma coisa gira mas que pode ser apenas art, devaneio, gozo pessoal, …

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Design são conversas

E neste processo de encontrar novas soluções para os utilizadores, o processo não pode ser apenas realizado pelos designers. O processo tem que ser iterativo e partilhado, muitas vezes co-criado.

Temos tido a boa experiência de resolver alguns processos com a preciosa ajuda dos utilizadores. E essa ajuda, que se associa sempre a estudos demorados, muitos workshops e salas com paredes espelhadas, e tantas vezes conseguida apenas com uma conversa.

Uma conversa em que nos colocamos na posição de quem não sabe, que quer saber, descobrir e encontrar o caminho novo.

E já se percebeu que entre pedir a alguém para preencher um questionário (que tem sempre aquele ar de avaliação escolar) e uma conversa aberta e orgânica, a conversa ganha.

Painstorming versus user centered design…

Em conclusão, pode ser que a abordagem ao painstorming ajude alguns negócios a gerar novas ideias para a resolução de problemas, colocando o utilizador no centro da atenção.

Se for esse o resultado final já fico contente, porque o que não falta são respostas erradas a problemas de todos os dias, apenas porque não pensamos nos outros.

Resumindo: com tanta atenção aos outros e aos seus problemas, podemos dizer também que o design não é egoista, e isso é bonito de se dizer.

Comentários, discordâncias e outras coisas, na caixa aqui abaixo ou nos contactos do costume. 🙂

Photo by Cody Engel on Unsplash

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