Slow content e o assumir do caminho

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Há quem defenda que o slow content se inspira na corrente de pensamento slow living, mas para nós surgiu apenas como um exercício de puro bom senso.

Cansados da escravidão da publicação obrigatória, a dias e horas marcadas, que não nos permitiam uma produção de conteúdo mais inspirada e orgânica, optámos por seguir uma estratégia de slow content e privilegiar a qualidade em detrimento da quantidade.

Tudo ficou mais rápido, a aceleração é uma inevitabilidade e em muitos casos é uma coisa positiva para a nossa qualidade de vida.

Conseguimos de forma eficiente fazer mais coisas, ir a mais locais, ter contacto com mais realidades, saber mais, mas estaremos a ter tempo para absorver tudo isso, digerir e contar a nossa própria história, acrescentando valor?

Essa era uma dúvida que nos atormentava há uns meses, e parecia-nos que o caminho não seria pelo mesmo carreiro dos outros, mas que devíamos procurar o nosso próprio “caminho das pedras”… não fosse esta a empresa que ainda hoje sonha com o bioconteúdo e que mantém um blog há mais de quinze anos, mesmo sendo a morte deste formato ciclicamente anunciada.

Travar a fundo ou usar duas velocidades?

É a chamada “pescadinha de rabo na boca”, por um lado dizemos que os consumidores estão viciado em mensagens curtas e rápidas, mas por outro lado, enquanto criadores de conteúdos alimentamos esse vício criando cada vez mais conteúdos e mais superficiais.

Não nos parece que haja qualquer incompatibilidade em, sempre que se justifique, criar mensagens imediatas, diretas e datadas, mas ao criar um conteúdo mais perene, que não é descartável no próximo dia, mas que se mantém útil e atual para os leitores, estamos a ganhar em todas as frentes.

Claro que nem tudo são rosas – há que estar preparado para esquecer temporariamente as métricas mais comuns em prol de uma consistência, que com o tempo, há de acabar por trazer mais engajamento (adoro esta palavra), uma relação mais colaborativa com o publico e mais valor acrescentado para a nossa audiência.

E a cada minuto do dia…

É absolutamente assustador a cacofonia das marcas, empresariais e pessoais, que concorrem no mesmo minuto em vários meios pela nossa atenção e já nem estou a colocar em foco a questão pouco sustentável para a vida planetária da quantidade de servidores necessário e do seu crescimento exponencial (esse é outro tema, que merece reflexão mas que não cabe para já neste artigo), mas apenas quantificar a gritaria que faz com que a nossa atenção se disperse no loop de mensagens, sem nos focarmos realmente em algo que “nos acrescente”.

Vejam, por exemplo este gráfico da DOMO, que nos mostra a quantidade de dados que é gerada por minuto em cada plataforma.

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From Amazon to Zoom: What Happens in an Internet Minute In 2021?

Por outro lado, o número de utilizadores de internet também tem crescido de uma forma muito rápida e somos já “5 billions”, ou como deve ver lido em Portugal, 5 mil milhões de almas e a crescer…

According to data compiled by Lori Lewis and published on the site AllAccess, 60 seconds on the web in 2021 consist of more than 500 hours of content uploaded on YouTube, 695,000 stories shared on Instagram and nearly 70 million messages sent via WhatsApp and Facebook Messenger.

Claire Jenik

Como fazer slow content

Podia dizer-vos que seguimos os princípios do slow marketing e que por essa razão utilizamos estes princípios na nossa comunicação digital, mas não é verdade. Uma vez mais, adaptámos os princípios às características da nossa empresa e do eco-sistema onde existimos e retirámos o que nos parece o melhor e mais útil desta “estranha forma de vida” que é o slow content.

Assim, tentámos durante este últimos meses e com a colaboração preciosa da Joana Rita Sousa, trazer-vos conteúdos com propósito, uma mensagem positiva e principalmente honestos, com respeito por quem produz e também por quem vai consumir as mensagens.

Único, humano, criativo

Também erramos e de vez em quando voltamos aos velhos hábitos. Não vivemos no “fundo do poço” e somos contaminados pelo ambiente que nos rodeia, mas faz-nos cada vez mais sentido deixar uma ideia assentar, ler e pesquisar sobre ele, antes de disparar em todos os sentidos.

Technology is the answer. But what was the question?

Cedric Price

Independente dos caminho que trilhamos, é importante não esquecer as ferramentas de SEO e análise, elas permitem-nos afinar a melhor forma da nossa mensagem chegar a quem pode ter interesse nela, mas também a inferir que tipo de conteúdo pode interessar aos nossos seguidores.

Photo by Nareeta Martin on Unsplash

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