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Written by Jorge Oliveira / 28.05.2020

750 palavras, semana 1

Prometi a mim mesmo que todas as semanas teria que escrever pelo menos um texto. E há uma corrente que promove bastante esta ideia da escrita diária de 750 palavras, portanto vamos lá, se for uma por semana já é um bom princípio.

E hoje já é quinta feira, o que quer dizer que foi mais uma semana voadora entre tarefas, reuniões, planeamento e organização da equipa e dos projectos, formação, call’s & talks & webinars …

Aqui no espaço continua tudo vazio. Ainda não há desconfinamento, o que quer dizer que passo os dias a falar sozinho, até que chega a hora de almoço e tenho a companhia do Sr. Lopes, o fantástico porteiro do prédio, para 10 minutos de troca de ideias, um café e outra visão do mundo.

O Sr. Lopes é um porteiro à moda antiga. Atencioso, sempre presente, sabe tudo e mais alguma coisa, e sabe sempre mais que aquilo que estamos à espera. É tão bom ter alguém assim na recepção do prédio, dá 20 a zero a outras soluções.

É acima de tudo uma relação orgânica e genuína a que ele estabelece com toda a gente que entra e sai e vem trazer coisas. Nunca nada fica perdido.

Esta semana falámos da economia, dos espaços disponíveis, do choque “térmico” social, mas também das oportunidades, das viragens, do estar atento. E se ele é uma pessoa atenta.

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E como estou a escrever de forma mais ou menos livre, não sei agora que caminho seguir. Estivesse eu muito preocupado com o SEO deste artigo e já tinha parado para voltar atrás, mas hoje estou-me a obrigar a não pensar nisso.

Este artigo será orgânico ou talvez até, biológico. Sem aditivos. Vai crescer como crescer. Meio torto, sem medidas standard para supermercado, mas talvez com mais sabor. Logo se vê.

Por falar em sabor… ou cheiros, que vão dar ao mesmo e fazem parte da mesma experiência (se fosse doutra forma eu diria sempre que gosto de favas, mas o cheiro faz-me pensar duas vezes)… sinto falta da ausência de trânsito. De repente e durante algumas noites a cidade tinha outro cheiro, outra tranquilidade. E isso foi interessante.

Não quero voltar a confinar, mas gostava mesmo que as alternativas de transportes e de mobilidade ganhassem outro rumo. Vejo ainda mais gente de bicicleta própria, agora que as trotinetes e as Jump se evaporaram, mas era bom serem ainda mais.

São as chamadas boas consequências das crises. Da última crise ficaram-nos mais ciclovias, mais gente nos jardins públicos, mais iniciativa privada, mais start-ups (e felizmente já deixou de se falar tanto em empreender, agora temos mais ação).

Desta vez já consigo fazer algumas previsões mas prognósticos só depois do jogo. E esse bem os dispensava das emissões televisivas. Jogos e debates. Adiante…

Será que vamos debater a sério o modelo de educação mais híbrido? Com menos peso nas mochilas e mais peso na autonomia? Mais à medida dos usos das novas gerações mas equilibrado com as necessidades da educação?

Vejo tanto a acontecer e tanta oportunidade de resolver agora o que noutras alturas custa tanto a mudar. Espero que a vontade não esmoreça.

As crises são tramadas mas acabam sempre por ser uma enorme oportunidade de crescimento, de adaptação, de novas ideias. E isso é tão bom.

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Também é cansativo e tenho a certeza que não estou sozinho quando digo que chego ao fim do dia muito mais cansado e tantas vezes com um sentimento de frustração por tanto que fiz e que espremido dá tão pouco e os post-its na mesa só aumentaram e …

“- Ainda estás a trabalhar pai? – Não filha… ” E já nem sei que diga a seguir.

Se acham que escrever 750 palavras é fácil, deixo o desafio. Neste momento cheguei às 600, mais coisa menos coisa, e agora é que vai doer.

Ainda voltando aos cheiros, lembrei-me agora. Dei por falta dos cheiros de algumas lojas. Quero tanto que a Fnac do Chiado volte a abrir. Só preciso de ir comprar uma caneta.

Talvez um livro que vi hoje num jornal, talvez nada, mas tenho saudades do deambular pelas prateleiras, pelo tocar nas coisas (parece que não vai ser assim tão simples), pela descoberta de coisas novas… não que tenha falta de coisas… mas pela falta da experiência de deambular e descobrir.

E pronto… por hoje já chega e já estou a contar com esta frase para chegar à fantástica marca das 750 palavras. Já agora, o que muitos recomendam é que isto possa ser feito em privado, não publicado, para as coisas fluirem melhor e sem freios. Apesar de tudo tive por aqui muitos.

750 palavras… feito

Tentei não editar muito, mas há sempre um leva e trás. E agora? Agora nada… vou publicar, partilhar e logo vejo o que me dizem disto. já sabem  como falam connosco, por aqui ou por ali.

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Photo by Alexandra on Unsplash

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