O desespero banal duma humanidade confortável

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O mundo já devia saber que muitas vezes escrevo por escrever, apenas porque me apetece e faz bem.

Não que escreva pouco. Nunca fiz contas ao numero de caracteres que escrevo por dia entre emails, mensagens no Slack, Whatsapp ou Telegram, no Asana, nos reports e outras informações que temos que deixar, mas deve ser para lá de 4 romances do Saramago até porque me esqueço de muitas virgulas.

Também me sinto um Lobo Antunes pela quantidade de vezes que escrevo a mesma coisa. A mesma coisa. Como se só houvesse uma coisa a dizer. Sempre a mesma coisa.

“O Coelho está optimo e não penses que vou chorar à tua frente.”

Admira-me que ainda existam impressões digitais na nossa geração tal o uso que damos à cabeça dos dedos ao longo do dia.

De vez em quando apetecia-me ser carpinteiro, jardineiro, tipógrafo, … coveiro não, apesar de enterrar algumas toneladas de ficheiros por dia em limbos que nunca mais vão ser consultados, chegaria a casa todos os dias lavado em lágrimas.

E depois? Há algum problema em derramar uma lágrima por dia?

Isto tudo porque temos dias em que só apetece chorar. Estamos cansados de confinamento, de estar distantes, de não nos vermos, de falarmos sozinhos ou com o teclado. Todos os dias a sentir um aperto e a já termos dificuldade em estar com outros sem ter vontade de os desinfectar primeiro e abraçar depois.

Eu sonho com uma torrada e meia de leite, tomadas com dignidade numa esplanada. Uma qualquer, já não sou esquisito. Desde que tenha meia de leite e torrada. Apenas isso.

Outros querem piscinas aquecidas e spa’s, outros os filhos na escola, outros ainda correr pela praia, outros só querem viver.

É o desespero banal duma humanidade confortável. O desconforto dos miseráveis problemas do primeiro mundo.

p.s. Isto foi só para quebrar o silêncio, dentro em breve volto para escrever coisas com mais interesse. 😉

Photo by Brett Jordan on Unsplash

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