Recomendar e comprar a quem nos compra algo

Outra forma de economia circular?

Em Janeiro prometi que iria voltar a falar de economia circular – e cá estou eu.

Desta vez o foco é no sentido, não tanto empresarial ou de grandes empresas, mas de pessoas e de pequenos negócios (ou de freelancers como eu, por exemplo).

 

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Recomendar a pessoa certa para aquele projecto

Por vezes chegam projectos às agências, às empresas – e também às caixas de e-mail dos freelancers – para os quais até conhecemos a pessoa certa. Sabemos que aquela pessoa tem o perfil, tem as competência, tem a experiência e tem a disponibilidade. Recomendar alguém a quem nos procura é uma forma de economia circular, pois permite que quem nos procura fique satisfeito e quem é contratado… também.

O círculo completa-se pois a pessoa que recomendamos vai ter-nos em conta para uma futura recomendação. Desta forma, as adjudicações circulam, as recomendações circulam, circulo eu, circulas tu. Circulamos todos. Garantimos que há trabalho e projectos para mais pessoas e, acima de tudo, mantemos a bitola do “entregar com qualidade”.

Entregar com qualidade, a meu ver, passa também por entregar recomendações de qualidade. Confesso que sou exigente nas recomendações que faço, pois quero acima de tudo garantir que quem procura tem acesso a um produto ou serviço de qualidade. Também sou exigente comigo mesma quando sou recomendada por alguém, pois considero que essa confiança vale ouro e, acima de tudo, quero manter essa relação de confiança.

 

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Divulgação de pequenos negócios

O movimento Compra aos Pequenos foi criado durante a pandemia e tem como foco ajudar a divulgar os pequenos negócios que viram as portas fechadas por causa do confinamento e que viram os seus fregueses habituais com menos poder de compra.

Podemos ler no Dinheiro Vivo:

“São estes pequenos negócios que estão a sofrer mais com a situação que vivemos hoje e que, a cada dia que passa, ameaça a sua sobrevivência. A pequena economia de amanhã depende de nós hoje”, sublinha João Duarte, fundador da comunidade, citado em nota de imprensa.

A gestão de um pequeno negócio traduz-se numa equipa pequena e que poderá precisar de alguma ajuda na divulgação do seu trabalho. O movimento Compra aos Pequenos possibilita a ampliação da mensagem “estamos aqui, vendemos isto, venha conhecer-nos” e ainda partilha sugestões no seu kit de sobrevivência.

Durante o confinamento de 2o20 e mais recentemente em Janeiro e Fevereiro de 2021 assistimos a um movimento solidário e de apoio das editoras – Orfeu Negro e Antígona – para com as pequenas livrarias. “Adota uma livraria” consiste em convidar leitores para encomendar os livros, sabendo que 30% do valor reverte para uma livraria:

Esta campanha conjunta, criada em abril do ano passado, visa ajudar as livrarias independentes, encerradas e em dificuldades devido à covid-19, através de apoio financeiro resultante de vendas ‘online’, (…).

Esta campanha é uma forma de conhecer as livrarias independentes e de permitir a sua subsistência. Quem não pode comprar, também pode ajudar. Como? Divulgando as iniciativas e ajudando a ampliar a mensagem.

 

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Comprar a quem nos compra

Economia circular também é isto: ajudar quem nos ajuda, ou seja, comprar a quem nos compra (um produto ou um serviço). A pessoa X contrata os meus serviços para Y e assim que eu tiver oportunidade vou comprar Z à pessoa X.

Desta forma, garantimos que os negócios à nossa volta continuam a girar, apesar da pandemia e das consequências económicas desta mega crise de saúde pública.

Pequenos gestos, grandes mudanças.

Circulemos! 

Photo by Raquel Martínez on Unsplash

 

 

 

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