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Written by Joana Rita Sousa / 30.06.2020

[4] tendências pós cóvide

Texto à medida

O Jorge pediu-me um texto – o Jorge sabe que sou filha de costureira e que gosto de fazer textos à medida.

“Podias escrever sobre as tendências pós #covid19”

Todavia, o padrão do tecido desagradou-me e não consegui esconder esse desagrado.

Poder, podia. Mas tenho muitas perguntas: o que é isso do pós #covid19 se ele ainda anda aí, em força e vai obrigar-nos a um jogo de cintura permanente? Não falo aqui das medidas de saúde pública, mas do seu impacto na forma como comunicamos, naquilo que podemos ou não fazer, ou na gestão das actividades de uma empresa (os eventos de verão, por exemplo).

Tenho dúvidas que se possa falar de pós #covid19, no momento em que escrevo este artigo. Estamos no final de Junho e vivemos há cerca de 3 a̶n̶o̶s̶  meses com uma declaração de pandemia. Pandemia esta que tem características únicas e desconhecidas, pelo que não sabemos mesmo quando irá acontecer o “pós”.

Vamos assumir que o pós #covid19 se refere às tendências que a pandemia originou, só por ter aparecido em cena. Assumindo este ponto de vista já sou capaz de me sentar para costurar. E, pronto, vou falar de tendências (acho que o Jorge gosta muito desta palavra!).

 

[4] tendências pós cóvide 1

Skye Studios / Unsplash

[1] Tendências: o conteúdo é rei

A partir do momento em que a pandemia se instalou, o mundo digital passou a ser a nossa casa, o nosso local de trabalho, o nosso local de aprendizagem. Na vida prática todos sofremos o impacto, de uma forma ou de outra: os filhos que deixaram de ir à escola, os pais que começaram a trabalhar a partir de casa, os restaurantes que começaram a procurar outras formas de vender (take away, entregas em casa), vários negócios tiveram de abrir lojas online, os influenciadores e as marcas tiveram de repensar os unboxing.

No meio de tudo isto quem resistiu à pandemia? Os criadores de conteúdo, como Bruno Nogueira, tal como refere o Paulo Esteves Nunes:

“O programa passou a começar então com a cadeira do Bruno vazia, a música do Dillaz, um copo de vinho a entrar em plano e a ser regado por uma qualquer garrafa. Bruno senta-se, prova o vinho, termina a música e começa o programa. A partir daí, estava feito o “genérico” de “Como é que o bicho mexe.”

Foram-se criando hábitos: ligar ao Nuno Markl que cantava sempre uma música em karaoke, fechar a emissão com o piano do Filipe Melo, e pelo meio convidados variados com os quais se foram criando histórias paralelas e que se cruzavam entre todos.”

 

[2] Tendências: o contexto é rei

Em ambiente de confinamento, com restrições nas saídas, estudo e trabalho em casa, o tiktok ganhou adeptos. Aprendemos coreografias, entrámos em desafios e perdemos a noção do tempo a ver cães fofos no telemóvel (por mim falo, que sou team dog lover).

Houve um aumento de utilizadores na plataforma e de conteúdos: “precisamos distrair-nos”:

Em Portugal, o TikTok disparou e pode ser considerada a rede social da quarentena (o crescimento é avaliado em 30%), popularizando-se entre os mais jovens mas também entre pais e avós.

Os lives no instagram também assumiram contornos pandémicos e havia horas em que era difícil entrar na rede e não entrar num directo. Havia literalmente hora de ponta. E depois havia o Como é que o bicho mexe.

O contexto foi fundamental para determinar a adesão do público a estes tipos de conteúdos que está agora, mais do que nunca, disponível para consumir conteúdos com uma estética diferente, espontânea e longe de ser perfeita.

 

[3] Tendências: a comunidade é rainha

Não é novidade para ninguém: a comunidade é um motor fundamental para que o conteúdo ganhe tracção. Sim, podemos fazer anúncios para divulgar o nosso conteúdo, a nossa marca. Isso não é incompatível com o conceito de comunidade, deve sim ser integrado numa política e acção forte de criação e manutenção da comunidade.

A comunidade faz-nos crescer, eleva a nossa voz mais alto – e para lá da plataforma. Tal como aconteceu com a Charli D’Amelio que, de repente:

(…) provou a importância de saber comunicar com os mais novos quando ajudou o governador do estado do Ohio a passar uma mensagem pedagógica sobre a crise da covid-19.

 

[4] Tendências: a consistência é rainha

Seja em contexto pandémico ou fora dele, a consistência é um factor determinante no estabelecimento de contacto com a comunidade.

Durante várias semanas, as 23h eram ponto de encontro entre aqueles que seguiam o Bicho do Bruno Nogueira (salvo seja). Havia um compromisso, havia um encontro. E quando deixou de ser possível continuar, esse adeus foi comunicado e celebrado de forma épica (foi Natal!).

A consistência não se reduz à frequência do conteúdo, mas também àquilo que dele se pode esperar: a qualidade, a identidade estética, o tom de voz, bem como os valores que são transmitidos.

*

Considero que minha perspectiva The Fab Four mantém actualidade, no pré, no pós ou durante #covid19. Afinal, há tendências que não passam de moda. Se calhar não são bem tendências, são coisas que estão aí para ficar.

 

Fotografia de destaque ./ Belinda Fewings on Unsplash