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Shared by Gonçalo Gonçalves / 04.05.2017

Dualismo Digital no IAMW 2017

por Nathan Jurgenson

Um pouco de optimismo digital.

É o pensamento que ocorre quando se ouve o Nathan Jurgenson discursar desde a Califórnia para o IAMW 2017 em Barcelona.

Nathan é sociólogo, fundador da revista Real Life e investigador em social media para a Snapchat.

Para o IAMW 2017 trouxe uma visão sobre a noção de realidade aumentada e como é entendido comumente pela maioria das pessoas. Aquela app: Pokémon Go.

Pensamos em experiências através de ecrãs que mostram ficções na realidade, mas que  simplesmente não existem no mundo real.

Mas não é isto. Nathan apresenta o conceito de forma mais abrangente.

 

Em suma, a realidade já era aumentada desde que o corpo humano tem extensões (internas ou externas) para percepcionar o Mundo.

Olhos, mãos, nariz, óculos, ecrãs, são tudo extensões que potenciam a forma como percebemos a realidade.

Se antes éramos potenciados por átomos, agora somos potenciados por átomos e bits.

A introdução ao conceito de dualismo digital vem em oposição a esta noção de realidade aumentada: o digital e o físico estão intrinsecamente misturados.

O dualismo digital ou a cisão, acontecem quando a realidade é vista de duas partes distintas, o digital, virtual e o físico, real.

Esta visão é, segundo Nathan, uma falácia, pois a realidade é tecnológica e orgânica e tanto o físico como o digital co-existem no nosso dia-a-dia.

Mais sobre o Dualismo Digital do Matrix e a Realidade Aumentada neste artigo escrito em 2011.

 

A par da homenagem feita a Zygmunt Bauman na conferência em Barcelona, o conceito de realidade líquida torna-se relevante, não só no contexto do mote do festival – “In Randomness We Trust” – como no contexto próprio ao da investigação que Nathan dirige na Snapchat.

Neste artigo, a forma como as redes sociais estão a definir a nossa identidade e consequentemente as nossas relações pessoais, assenta exactamente no modelo de rede social até aqui existente: conteúdo permanente, categorização e omnipresença.

Tornámos-nos coleccionadores das nossas experiências, vigilantes e consumidores do nosso próprio conteúdo. A multiplicidade da vida não reflete no que a rede social se tornou.

A proposta para o futuro lançada durante o último fim-de-semana de Abril de 2017, abraça a mudança de paradigma, a da aceitação da livre circulação da informação e pessoas, do optimismo e oportunidade que existe na incerteza do nosso tempo.