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Shared by active / 07.12.2016

Porque sai da Active Media (não saindo na totalidade)

A Active Media é um projecto com 14 anos, com três cabeças pensantes ao leme, e uma equipa jovem, determinada e optimista em relação ao futuro.

Quando fui contactado para “arrumar a casa” e “agilizar processos” o desafio foi desde logo algo que me cativou e que me levou a aceitar sem perguntar porquê ou como. Sabia que era a minha praia e que poderia contribuir com know-how e experiência – e alguma maturidade empresarial, se me permitem a imodéstia.

3 meses mais tarde saí, não totalmente pois mantenho o contacto diário e permanente com a equipa e porque considero que serei sempre “Active”. Este artigo pretende responder o “porquê”.

Os motivos foram 3, essencialmente.

Começo pelo óbvio, embora não o mais forte. Surgiu um novo desafio, na dimensão da Bit SONAE, que é algo que não podemos ignorar. Lutei internamente e debati-o com o Jorge, a Sandra e a Rita. Em conjunto decidimos que não era viável deixar passar a oportunidade. Até porque o meu trabalho, em boa parte, já tinha sido concluído. Ainda há muito por fazer e conto, mesmo remotamente, continuar a desenvolver o trabalho que foi iniciado. O que me leva ao segundo motivo.

“Arrumar a Casa”. No caso da Active Media, este termo tanto se aplicava à equipa como ao Jorge, Rita e Sandra. Por um lado, implementar regras, metodologias e ferramentas para que a equipa se consiga (auto) organizar e estar sempre a par dos projectos. Isto foi conseguido com um quadro Kanban que todos utilizam e que interiorizaram como parte integrante do processo quase de imediato. Para além disso, a noção de que devem ser eles, enquanto equipa e autoresponsabilizando-se pelos projectos na íntegra foi conseguida sem grande esforço. Aliás, era algo que eles desejavam, na verdade. A equipa sente a Active Media como parcialmente sua. O êxito da empresa depende deles. Eles sabem-no. Desta forma formaliza-se esse sentimento.

Dito isto, o trabalho de “arrumar a casa” com o Jorge, a Rita e a Sandra passou mais por questões práticas no que diz respeito a como proteger o processo de algumas rasteiras comuns, assim como de implementar alguns métodos para conseguir minimizar impacto em termos de imponderáveis, uma mini gestão de risco, se quiserem. E também eles passaram a ter um quadro, partilhado entre todos, onde os projectos estão alinhados por fases com grau de criticidade e prioridades definidas. Desta forma qualquer pessoa consegue ver o pipeline previsto de desenvolvimento a qualquer altura.

Finalmente, a mudança na forma de fazer as reuniões de planeamento, dando a palavra à equipa, por oposição a serem eles a percorrerem os projectos, um a um. Deu-se o controlo da reunião à equipa, responsabilizando-os nos projectos que desenvolvem e “obrigando-os” a serem rápidos e sintéticos. Não é uma daily, pelo que não há a obrigatoriedade de cumprir os 15 minutos mas ainda assim conseguiu-se passar de reuniões de 1 hora, ou mais, para 20 minutos. Excelente.

O terceiro e último motivo foi perceber que eles conseguiriam, neste momento, levar avante a agilização da empresa sem que houvesse necessidade de eu estar permanentemente presente. Eles sabem que estou por perto, seja via Skype, Slack ou mesmo visitando-os de vez em quando. Mas na verdade quase que não precisava de estar. Acredito que mesmo que eu desaparecesse por 6 meses ou 1 ano quando regressasse eles tinham desenvolvido a agilização adaptando-a às necessidades da empresa e dos projectos, sem cair novamente nos erros do passado.

Concluíndo, a Active Media é ainda a minha casa. É o que sinto e espero que a Active Media ainda me sinta como “da casa”. Mas nesta fase da minha carreira e do percurso da Active Media justifica-se este afastamento, sem nunca cortar as amarras em definitivo. Pretendo voltar, se eles me aceitarem (claro), quando o projecto assim o justificar. Até lá, continuo a ter a Active no coração e a evangelizar o mundo nesse sentido. Somos Active.