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Written by Joana Rita Sousa / 16.05.2017

ClickSummit: e no final do dia, o que é importante é o lado humano

Nos dias 12 e 13 de Maio aconteceu mais uma edição do ClickSummit, em Lisboa, na Aula Magna. O Frederico Carvalho é o responsável pela iniciativa, que já conheceu edições totalmente online. Há dois anos que o ClickSummit acontece em modo offline, com muito debate e troca de ideias no online, sobretudo no twitter. Caso tenham curiosidade, investiguem a hashtag #clicksummitpt

O evento é dedicado ao marketing e vendas online, o que justifica um programa com momentos para falar de marketing automation, online e video marketing, customer experience, conteúdo nos canais digitais, ferramentas tão úteis como o excel, ferramentas de marketing. Também se falou de humanização, influenciadores, direitos de imagem e protecção de dados. O “menu” acabou por se revelar variado e foram dois dias intensos, cujas conferências ou painéis deram o pontapé de saída para diálogos muito ricos. E claro: “Não seria uma conferência de Marketing e Vendas se não tivesse uma pirâmide invertida na primeira apresentação.” 

 

SHARE

Houve oradores que trouxeram algo de novo, outros nem por isso; outros que souberam compilar informação útil e explicar a sua relação com o trabalho de todos os dias: Susan Hallam, you’re the one! Afinal, as ferramentas existem, estão aí para que possamos utilizar. Umas são gratuitas (“Free, our favorite F word), outras nem por isso. O importante é o valor acrescentado que cada um de nós coloca no seu trabalho. Susan não receia partilhar as ferramentas com o mundo, com os seus clientes, com os seus concorrentes: o que ela vende, na verdade, é a sua criatividade, o seu conhecimento. As suas competências. A Susan e todos nós, certo?

Susan Hallam ganhou pontos junto da audiência por dançar em palco, ser capaz de improvisar e por trazer consigo uma apresentação super personalizada. Falou-se de Benfica e do próprio ClickSummit – afinal, eram os assuntos da ordem do dia.

Estive colada à comunicação do Nikolaj Mogensen, sobre excel (e com isto fui o orgulho do meu irmão, um fã desta ferramenta).

Gostaria de ter visto outro tipo de tratamento do assunto direitos de imagem e protecção de dados – e tenho a certeza que quem esteve presente sentiu o mesmo. Faltou o verdadeiro debate de ideias e talvez assumir que são dois assuntos sensíveis e que mereciam um painel específico. Ironia das ironias: enquanto se debatia este assunto, acontecia um ataque informático, em Portugal e não só.

AND IN THE END, WE WILL ALL DIE

Paulo Barreto anunciou (outra vez) a morte da televisão; Inês Lima ressuscitou-a.  Francisco Ascensão anunciou a morte do twitter e Pedro Tavares partilhou uma experiência do Ministério da Justiça, o espaço óbito. Como se diz na minha aldeia, “entre mortos e feridos, alguém há-de escapar”.

A maioria dos oradores assumiu o verdadeiro espírito de partilha:

 

Os melhores chefs do mundo partilham as receitas. Nunca ninguém consegue fazer tão bem, e se conseguir, eles ficam contentes.  (Daniel Pereira)

you should CHATBOT, but  you should HUMANIZE it

No primeiro dia, o pontapé de saída foram os chatbots. Dizem que são o futuro. Que devemos delegar-lhes o trabalho, o mais humanizado possível, para lidar com 90% das questões relacionadas com (exº) atendimento ao cliente. Os outros 10% é que são os casos que necessitam de intervenção humana, para o acompanhamento. Portanto, anuncia-se o automatismo, que deverá ser o mais humano possível. e depois? Depois, os humanos podem dedicar-se aos humanos que realmente precisam de um atendimento humano.

Falou-se nisto durante a manhã: uns a falar de que os bots são o futuro, outros a mostrar que a humanização é essencial.

 

 

EXIST 

Jeff Bullas era a presença mais aguardada do primeiro dia. Dispensa apresentações, mas confesso que só o conheci quando li o programa do ClickSummit. Com isto podem apelidar-me ou rotular-me do que quiserem. A verdade é que é difícil conhecer tudo, sobre tudo, numa área tão abrangente como o marketing online, social media e por aí fora. E eu não tenho a pretensão de conhecer e de ler tudo, pois a vida é um bocadinho, como dizer, curta! Bullas trouxe um novo mantra, à moda cartesiana, consigo:

I create, I publish, I exist.

Ao qual gostaria de acrescentar, numa espécie de Descartes ft. Bullas:

I think, I create, I publish, I exist.

Sem pensar não vamos lá. Não basta criar. Disparar em todas as direcções. Ir fazendo. Estar ali ou fazer isto porque os outros fazem, logo deve ser bom. Há que pensar, definir uma estratégia, estabelecer objectivos e indicadores para medir resultados, definir prazos, ava liar. Reavaliar – e dar um passo para trás, se isso tiver sentido. É importante pensar. Fundamental. Até porque “The digital changes are so fast that what worked last week, may not be working anymore!” (Jeff Bullas).

 

SOCIAL MEDIA: be there and make a difference 

É inevitável falar de social media e da importância que as diversas redes sociais têm, no que ao marketing online diz respeito. E depois, há o social networking que estes eventos comportam. Rever pessoas, conhecer outras, trocar cartões de visita, apertar a mão a quem já se conhece há muito, “mas só nas redes”. Perceber que há matéria humana para pensar e fazer trabalho sério nestas áreas, em Portugal.

Em palco, houve tempo e espaço para falar de storytelling, de influenciadores, de personal branding e de reputação online.  ‘In Social Media, is not what you say about yourself that is important, is what other people say about you’ (Susan Hallam).

E a verdade é que nem sempre ouvimos nada de novo ou algo que vá para lá do básico: e é assim que (também) tem que ser. Há coisas óbvias e básicas que devem ser repetidas, lembradas – e se for um daqueles gurus que todos reconhecem (menos eu, vá) – melhor. Faz com que a autoridade se assuma como argumento, quando os outros falham, pelo facto das pessoas estarem muito agarradas ao “sempre se fez assim e pronto”.

Apesar do anunciado falecimento da rede twitter, foi por lá que se viveu intensamente o evento. Muitos tweets, muitos RT, muitos diálogos paralelos que foram levados para o palco pelos moderadores dos painéis.

Twitter is the most misunderstood social network of the world. said it not me

 

I’m only human

Kotler refere o conceito de human-centric marketing como um crescimento natural do marketing centrado no cliente e no produto. O autor espera que os marketeers possam, finalmente, compreender e praticar o foco e o centro no humano. Os clientes não são só entes com necessidades funcionais ou emocionais: os clientes desejam, anseiam. E preocupam-se. Tecem elogios e também se queixam. São pessoas humanas. É esse lado de “pessoa humana” que os seguidores esperam das marcas. Será um chatbot capaz disso? E a inteligência artificial: possibilidades e limites?

A este propósito, sugiro a leitura deste artigo Humano, demasiado humano e desta reflexão, em conjunto com o Pedro Rebelo e o Luís Bettencourt Moniz.

 

 

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