Pixel ID
Question Everything .is/listening
Written by Joana Rita Sousa / 08.06.2018

IMSHAREConf 2018: falar do futuro abordando os temas do presente

Acontece desde 2015, na Universidade Nova de Lisboa, no Campus de Campolide. A IMSHAREConf conheceu nos dias 4, 5 e 6 de Junho de 2018 a sua 4ª edição. O programa estava dividido em três grandes temas: Marketing Intelligence, Data & Analytics e Data Privacy.

A IMSHARE – Foster the Future assume-se como a maior conferência de gestão de informação e analytics, em Portugal. Tenho acompanhado o evento desde a sua primeira edição, sobretudo através do Twitter. Fui pela primeira vez em 2016. Nesta última edição estive presente e, ainda que não tenha assistido a todos os painéis, a todos os workshops, encontrei na rede do passarinho Larry os ecos com a hashtag #IMSHAREConf.

Ouvi e li coisas que me fizeram pensar. Partilho aqui os meus pensamentos com todos vós. Mais do que um relato sobre a conferência, este texto é um relato dos meus pensamentos, à volta do que aconteceu na IMSHARE.

Cultura digital

O painel dedicado ao tema Single Customer View trouxe consigo questões relacionadas com a tão querida e amada personalização. A verdade é que as pessoas humanas não gostam assim tanto de ser tratadas como números.

Somos mais do que o número do Cartão de Cidadão ou de Identificação Fiscal. Somos mais do que o número de aluno, na escola ou na faculdade. Junto das marcas queremos ganhar o respeito, queremos que a nossa diferença seja respeitada. Queremos amar e ser amados pelas marcas – arrisco a dizê-lo

Verificamos que há mecanismos tecnológicos que permitem às marcas mapear a jornada do consumidor e criar momentos de personalização. Momentos que serão determinantes para a criação de relações de confiança, duradouras.

O painel em causa contou com a presença de Dulce Mota (Activo Bank), Pedro Mata (Credibom), Jorge Rodrigues (Nova Base) e a moderação de Fernando Bação (Nova IMS).

Jorge Rodrigues referiu as dificuldades dos clientes em aderir a plataformas digitais. As pessoas não estão preparadas para isso? Não, não estão. Ou melhor, temos públicos que já são nativos digitais e para quem navegar é “peanuts” – e depois temos toda uma série de públicos que não anda com o mundo digital dentro do bolso.

Blockchain para totós

No segundo dia da IMSHARE aprendi um pouco sobre blockchain – confesso, é um tema no qual me sinto muito ignorante. O Flávio Nunes moderou um debate sobre o assunto com a presença do Paulo Fonseca (Laux) e Pedro Reis Colaço (Emanate – Blockchain Music). Sim, surgiram alguns termos que me eram estranhos. Fiquei a saber que há o risco de se tornar numa daquelas modas às quais as empresas podem aderir just because we wanna look cool.

Para lá disso, foram referidos aspectos positivos relativos a esta tecnologia que impede a batota. Ainda assim, não resolve todos os problemas de segurança. Permite que haja confiança, comunicação directa entre duas partes, sem necessidade do envolvimento de terceiros. Que tal? Acham que aprendi alguma coisa ou nem por isso?

Dados, dados, dados: como gerir?

“Com 68 likes do Facebook, consegue-se definir a raça, a orientação sexual e a orientação política.”

Estamos atolados em informação e não sabemos gerir a quantidade; temos sérias dificuldades em seleccionar a qualidade. Por outro lado, estamos na idade das fraldas quanto ao tema da desinformação, que também nos deveria preocupar (além das famosas fake news).

O RGPD (Regulamento Geral para a Protecção de Dados) é um excelente exemplo de oportunidade perdida para colocar em cursos processos de “transformação” e “adaptação” digital. As aspas surgem nestas palavras, pois fazem parte do Dicionário de Buzz Words da Vida Contemporânea dos Marketeers. A par de “disruptivo”, de “storytelling”, de “pensar fora da caixa”. São palavras ou expressões que nos habituamos a repetir, muitas vezes sem lhes dar um sentido efectivo, uma prática real, diária. Ficam muito bem nas apresentações e nos pitch e, por vezes, são os clientes e/ou as empresas que as usam no briefing.

De saudar a integração de alguns painéis sobre questões éticas relacionadas com a gestão dos dados – e não só. Momentos como estes são fundamentais para que se páre um bocadinho para pensar no que estamos a fazer e nos “como” destes processos.

 

Uma conferência que é mais do que um summit da vida

Sem dúvida que o programa da IMSHARE marcou pela diversidade dos temas presentes nos painéis. Ainda assim, houve um tema que foi recorrente nas conversas: o RGPD. Estamos todos a recuperar da avalanche de e-mails, dos campeonatos de unsubscribe e dos done right e done wrong em torno deste assunto.

Para além dos temas abordados, há mais motivos para que a IMSHARE seja uma das minhas conferências preferidas do ano. Durante três dias encontram-se académicos e profissionais, alunos e professores, marketeers e pessoas da área da comunicação. É um excelente espaço de partilha e de networking.

 

[Fotografias retiradas da página FB IMSHAREConf]

Follow me!