Pixel ID
Question Everything .is/listening
Written by Jorge Oliveira / 14.06.2018

Obrigado, RGPD!

#Fazesamorcomummegafone?

Obrigado, RGPD!

Vou começar por agradecer ao RGPD (Regulamento Geral para a Protecção de Dados) todo o descanso e limpeza que a minha inbox recebeu.

Podemos dizer desde já que o RGPD foi um sucesso, um verdadeiro SPA na comunicação global, uma lipoaspiração completa e lá se foram quilos e quilos de gordura pelo cano abaixo.

O problema de muitas marcas é que agora também ninguém fala com elas. Emagreceram de tal forma que ninguém as reconhece, e perderam a confiança que vinha com a droga dura da comunicação de massas… o SPAM.

Andava tudo no engate com um megafone e à bruta…

“Olha este estudo tão fixe”… “dá-me os teus dados todos, todooooooosssssss”. E, no final, o desempenho, desculpem, o conteúdo, não era assim tão fascinante para justificar a troca.

Mas a contagem de clicks é uma ditadora e abaixo de uma determinada taxa era o falhanço total e por isso havia que alimentar o monstro.

As conversas têm dois caminhos

Esquecemos que as conversas não são um megafone, não são unilaterais. Esquecemos que o conteúdo continua a ser rei e que a sua qualidade permitirá crescimentos orgânicos. Agora, sem as muletas do spam, muitos estão no nível no qual sempre deviam ter estado… no lixo.

Pena que não haja uma agência internacional para a cotação de certas marcas a estes níveis. Uma Moodys, uma DBRS, algo do género. Dizem que o mercado regula… mas regula bem? Não parece.

Back to basis

  1. Vamos voltar às bases e perceber que as relações têm mais valor do que uma linha na folha de Excel do profiling?
  2. Vamos voltar à partilha genuína e aberta de conteúdo só porque temos prazer nessa partilha?
  3. Vamos voltar a praticar a cultura digital e deixar de pensar que tudo na vida tem que estar preso ao funil?
  4. Vamos criar reputações que não dependem de publicidade em massa, de colheita de dados idiota, de newsletters abusivas ou de promessas enviesadas?
  5. Vamos voltar a conversar agora que o podemos fazer, um a um?

O digital: o que é e aquilo que deveria ser

A minha educação religiosa traz-me à memória o episódio dos vendilhões do templo e é assim que vejo muitos players do mercado. Pessoas que só olham para o mercado pelo olho do funil sem perceberem a cultura digital por detrás de tudo isto.

E, sinceramente, acho que o digital tem muito mais para oferecer que aquilo que tem oferecido nos últimos anos. Ou, pelo menos, não foi com essa expectativa que o tenho defendido desde sempre, nem considero que deva ser o comportamento nele. Nem tudo é para ser monetizado e nós não somos máquinas de consumir anúncios.

Os mercados são conversas e as conversas são relações. E as relações não se fazem a toque de megafone.

1. Markets are conversations.
2. Markets consist of human beings, not demographic sectors.
3. Conversations among human beings sound human. They are conducted in a human voice.

The Cluetrain Manifesto

Mais uma vez: obrigado, RGPD!

Pode ser que o RGPD ajude a relançar esta questão e que se volte a pensar no digital como aquilo que ele é e deve ser.

O digital não deve ser uma réplica das más práticas de comércio e publicidade a que assistimos no mundo analógico.

E sendo nós agentes neste mercado, cabe-nos a responsabilidade de inverter certas tendências e de levar o digital novamente para os bons caminhos. Essa é a minha profunda vontade, e se quiserem, missão.

Comentários, respostas e etc, estou sempre por aqui ou numa rede social à escolha.

 

Outras leituras:

Ao que parece não ando a pensar nisto sozinho…

“Done right and wrong” do RPGD

Story yelling 

Porque devias deixar de ler notícias nas redes sociais

 

Fotografia by Raj Eiamworakul on Unsplash

 

Follow me!

Tópicos deste artigo